sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O amendoim

“Uma moça estava em pé na estação à espera do metrô que ainda se demoraria dali a alguns minutos. Ao checar as horas no relógio de pulso, um rapaz ao seu lado pergunta as horas e ela responde. O rapaz comia uns amendoins de um saquinho, atirava-os um a um à boca quando virou-se novamente para a moça e perguntou:

- Tá a fim de um amendoim, gata?

Ela dá uma olhadela no saquinho e questiona:

- É daqueles com cobertura de chocolate??

Estranhando a pergunta, o rapaz franziu o cenho, fitou o saquinho e respondeu hesitante:

-Na... não, é daqueles descascados, sabe? Meus favoritos. – Disse e sorriu gentilmente.

Ela revira os olhos e diz:

-Eu mereço. Mas quem hoje em dia come esses amendoins horríveis? Eu quero com chocolate! Sempre como amendoim com chocolate. Mas que idiota!

Ele levanta as sobrancelhas, abre os braços e diz:

- Mas eu só tenho esses. É tudo que tenho pra te oferecer, gata.

- Dá-se um jeito, deve haver alguém vendendo por aqui perto.”

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Relacionamo-nos com pessoas todo o tempo e sempre alimentamos expectativas e anseios em relação a elas. Sempre esperamos que elas agissem como agiríamos, que sejam como nós, muito embora cada um experimente a vida de maneira particular. Isso sempre nos foge. Portanto é importante salientar que quando alguém oferece o melhor de si para você, você tem duas opções: aceitar ou não.

Parece muito simples, lógico e bem racional, não é?

Experimentemos, então, de outra forma:

“Uma moça estava em pé na estação à espera do metrô que ainda se demoraria dali a alguns minutos. Ao checar as horas no relógio de pulso, um rapaz ao seu lado pergunta as horas e ela responde. O rapaz comia uns amendoins de um saquinho, atirava-os um a um à boca quando virou-se novamente para a moça e perguntou:

- Tá a fim de um amendoim, gata? – e sorri cheio de charme.

A moça sorri de volta e muito educadamente responde:

- Não, obrigada.

O rapaz fecha o semblante, fica pensativo por uns minutos. Vira-se para a moça com outro tom de voz:

- Tá se achando, heim.

A moça arregala os olhos, dá uma risada incrédula:

- Desculpe, eu não entendi.

- ‘Quê qui’ é, heim? Meu amendoim não é bom o bastante pra você?? Você nem é tão bonita assim, hãm!

A moça ri perplexa. E ele prossegue inconformado:

- Você acha que eu saio por aí oferecendo o meu amendoim para qualquer uma? Tem um moooooooonnnnnnte de garotas que morreriam pelo meu amendoim e você esnoba??

A moça respira fundo e se explica:

- Desculpe, não sou fã de amendoim.

Agora é ele quem ri:

- Não é possível! Todo mundo gosta de amendoim. É salgado e meio doce às vezes, é divertido de jogar pra cima, é prático, barato e talz... É perfeito!

Ela fecha os olhos, balança a cabeça... pensa “eu só posso ter pirado de vez, isso não pode estar acontecendo”. Ela tenta de novo:

- Eu não estou com fome. Sabe, eu comi há pouco.

-Ah não mete essa! Não vem com essa de ‘não é com você...” e blábláblá!! Todo mundo no fundo quer um amendoim massa pra comer de vez em quando. Como assim alguém te oferece o que todos procuram e você esnoba?!”

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Desistiu de entender?

Eu também.



Mariângela Alves

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