Tema sugerido para este artigo: “Por que ser artificial e parecer superficial?”
A princípio, um questionamento sobre ser ou não artificial
ou autêntico, que implicaria numa impressão para as pessoas - fútil ou sensato,
respectivamente. Ou seja, por que não ser autêntico e parecer sensato?
Vamos lá, vivemos ou não num mundo em que nada se cria e
tudo se copia? No que implica ser autêntico? Falar as palavras que nunca são
ditas?
Vivemos em uma sociedade democrática. Somos livres para
sermos nós mesmos. Entretanto, desde pequenos somos adestrados e condicionados
de acordo com nossa cultura, costumes da família, referenciais na escola, os
amigos, a mídia, etc. Absorvemos tudo por osmose inconscientemente, não temos
como reagir. Destarte adquirimos a capacidade de socializar e viver em grupo.
No livro Guia Politicamente
Incorreto da Filosofia, Luiz Felipe Pondé cita o filósofo inglês Michael
Oakeshott, dentre outros, que já anteviam o lado ruim da democracia, que seria
a opressão à individualidade (Imagine no socialismo e comunismo! Lá a opressão
é armada #medo). Ninguém mais seria indivíduo de fato.
“Quase ninguém tem uma personalidade autônoma e ativa, e dói ter uma
personalidade assim.”
Seria muito mais fácil repetir o que a maioria faz. O ser
humano sempre busca aceitação. Não ser aceito dói. No entanto, a sociedade
democrática é baseada em liberdade e igualdade. Duas grandezas inversamente
proporcionais. Quanto mais livre, mais diferente. Quanto mais igual, mais condicionado
e submisso, logo, menos livre. Já começam por aí as contradições. Na realidade
a massa tem o controle e isso acarreta na manutenção do governo populista e,
logo, na perseguição aos indivíduos que não participam dessa relação tão
lucrativa. Uma caça às bruxas muito sutil...
Oakeshott acreditava que tomar decisões por si mesmo era a
maldição de poucos. Que implica em solidão e inseguranças, que poucos suportam.
Não somos autônomos, somos massificados. A massa oprime e exclui os indivíduos,
os que pensam por si mesmo, que buscam conhecimento, que questionam. E isso
está bem diante dos nossos olhos. A minoria que estuda e trabalha carrega o
povo nas costas. Quem você acha que paga o bolsa escola? E todos os benefícios
para a massa não morrer de fome? Quase 70% do seu salário vai para impostos.
“No fundo, o indivíduo fracassado e o homem-massa invejam a liberdade
do indivíduo verdadeiro porque ela lhes parece um luxo. Na realidade são
primitivos demais para entender a maldição que é ser indivíduo e a dor que é
ser livre sem pertenças a bandos.”
Ser autêntico é possível sim. Entretanto, exige um resgate
de si mesmo, de seu indivíduo reprimido desde a infância. Isso demanda tempo e
esforço. Só a partir daí começaria uma construção do Eu individual. Mas
atenção, não há glamour nenhum em ser
autêntico. Não se iluda. Fazer parte da massa, ser artificial, se encaixar nos padrões,
ser superficial é mais confortável, mais seguro. As pessoas vão te amar e vocês
terão muitas afinidades. A ignorância é uma benção. Portanto, para quem tem
escolha, talvez o conforto na Matrix seja bem melhor. Todavia, alguns não se
encaixam, é como uma vocação – uma voz interior que não cala nem se convence
com esse teatro. E a esses, meus colegas inquietos e inconformados, boa sorte!
“O idiota raivoso fala sempre com força de bando e, na democracia de
massa em que vivemos, ele sim tem o poder absoluto de destruir todos os que não
se submetem a sua regra de estupidez bem adaptada.“