quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

JANELA


Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto, é como se abrisse o mesmo livro numa página nova.
Mário Quintana
Janelas...
Elas contam histórias com suas arquiteturas que marcam um perfil artístico de uma sociedade. Dão charme, beleza, personalidade e rosto ao lar. Dão olhos a casa e a nós. E asas à imaginação...
O sentido denotativo da palavra é amplo, pode ser um buraco na parede, aplicativos e programas de computador, buraco em peça de roupa, alguma falha ou vão no sorriso maroto da criança... Então o termo demonstra ausência?... No sentido conotativo podemos ir longe. A figura da janela nos remete à idéia de contato com o exterior, contato mútuo. As paredes nos isolam, escondem-nos para nos sentirmos seguros. As janelas amenizam a solidão. Matam nossa curiosidade sobre o que se passa lá fora, garantindo o conforto seguro do lar, da zona de conforto. Através dela vemos a vida e as pessoas passarem pela rua, vemos o movimento, o sol, o céu, as nuvens, se tivermos sorte. Nem todas as janelas são brindadas com uma vista rica. Algumas são bem limitadas a muros e prédios, servindo apenas para ventilação e pouca luz. Ao abrir a janela vemos o dia chegar, a luz entrar, o vento limpar o ar, iluminando, enchendo tudo de cor e frescor. O cheiro muda, a energia muda. As cortinas balançam ao vento e ele até conversa com você, sussurrando... parecendo vir do além, será uma mensagem? Tomara que de paz. Precisamos tanto de paz. Essa paz com que as nuvens flutuam, se fazem e desfazem numa tranqüilidade e abandono na imensidão azul, num desapego de dar inveja... você observa debruçada na janela, sem grades nem tela, quanta sorte você tem de ter um portal mágico, livre e limpo, que te transporta pra liberdade, pelo menos da cintura pra cima. Cabelos esvoaçantes ao vento, sem monóxido de carbono, por favor. As árvores acenando tranqüilas ao vento, folhas dançando, galhos balançando... raízes no chão e galhos alcançando o céu. Seus pulmões se enchem de vida, distribuindo energia a todas as partes do corpo, respirar é viver.
A janela cabe em todo lugar. Inimaginável um cômodo sem ela, seria um caixão, ausência de vida, inabitável, só em castigo. Ela existe em nós. Nossa mais íntima forma de comunicação. Antes da fala, antes dos gestos, só não antes da energia, talvez junto com ela. Os olhos não mentem. Eles entregam o íntimo. As janelas da alma. Há janelas em tudo que nos transporta para a imaginação. Quando interagimos com o mundo. Quando conversamos com o nosso próximo, quando lemos seus gestos, suas palavras faladas, suas palavras escritas... fazemos através das janelas. Então...
ABRA A JANELA DO TEU CORAÇÃO E DEIXE A ALMA AREJAR ! =)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Quando encarei o espelho hoje eu disse:
- Essa sou Eu.
São hor
as como essa que devemos nos aceitar como somos com todos as qualidades e defeitos, respirar fundo, juntar toda nossa coragem e dizer, por fim:
- Hora de mudar! Hora de ser quem Eu Quero Ser. Hora de escolher diferente de novo e de novo.

As fotos parecem tão iguais, mas a pessoas não é a mesma.
Toda uma tragetória evolutiva de alguém em busca de si mesma.
Posso ser TUDO, quero ser eu mesma.




Mariângela Alves
O Ego quer tudo e não quer nada
Não tem nada a dizer, mas não se cala
É a imaturidade latente do ser humano
A criança que nunca cresce.




Mariângela Alves

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O amendoim

“Uma moça estava em pé na estação à espera do metrô que ainda se demoraria dali a alguns minutos. Ao checar as horas no relógio de pulso, um rapaz ao seu lado pergunta as horas e ela responde. O rapaz comia uns amendoins de um saquinho, atirava-os um a um à boca quando virou-se novamente para a moça e perguntou:

- Tá a fim de um amendoim, gata?

Ela dá uma olhadela no saquinho e questiona:

- É daqueles com cobertura de chocolate??

Estranhando a pergunta, o rapaz franziu o cenho, fitou o saquinho e respondeu hesitante:

-Na... não, é daqueles descascados, sabe? Meus favoritos. – Disse e sorriu gentilmente.

Ela revira os olhos e diz:

-Eu mereço. Mas quem hoje em dia come esses amendoins horríveis? Eu quero com chocolate! Sempre como amendoim com chocolate. Mas que idiota!

Ele levanta as sobrancelhas, abre os braços e diz:

- Mas eu só tenho esses. É tudo que tenho pra te oferecer, gata.

- Dá-se um jeito, deve haver alguém vendendo por aqui perto.”

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Relacionamo-nos com pessoas todo o tempo e sempre alimentamos expectativas e anseios em relação a elas. Sempre esperamos que elas agissem como agiríamos, que sejam como nós, muito embora cada um experimente a vida de maneira particular. Isso sempre nos foge. Portanto é importante salientar que quando alguém oferece o melhor de si para você, você tem duas opções: aceitar ou não.

Parece muito simples, lógico e bem racional, não é?

Experimentemos, então, de outra forma:

“Uma moça estava em pé na estação à espera do metrô que ainda se demoraria dali a alguns minutos. Ao checar as horas no relógio de pulso, um rapaz ao seu lado pergunta as horas e ela responde. O rapaz comia uns amendoins de um saquinho, atirava-os um a um à boca quando virou-se novamente para a moça e perguntou:

- Tá a fim de um amendoim, gata? – e sorri cheio de charme.

A moça sorri de volta e muito educadamente responde:

- Não, obrigada.

O rapaz fecha o semblante, fica pensativo por uns minutos. Vira-se para a moça com outro tom de voz:

- Tá se achando, heim.

A moça arregala os olhos, dá uma risada incrédula:

- Desculpe, eu não entendi.

- ‘Quê qui’ é, heim? Meu amendoim não é bom o bastante pra você?? Você nem é tão bonita assim, hãm!

A moça ri perplexa. E ele prossegue inconformado:

- Você acha que eu saio por aí oferecendo o meu amendoim para qualquer uma? Tem um moooooooonnnnnnte de garotas que morreriam pelo meu amendoim e você esnoba??

A moça respira fundo e se explica:

- Desculpe, não sou fã de amendoim.

Agora é ele quem ri:

- Não é possível! Todo mundo gosta de amendoim. É salgado e meio doce às vezes, é divertido de jogar pra cima, é prático, barato e talz... É perfeito!

Ela fecha os olhos, balança a cabeça... pensa “eu só posso ter pirado de vez, isso não pode estar acontecendo”. Ela tenta de novo:

- Eu não estou com fome. Sabe, eu comi há pouco.

-Ah não mete essa! Não vem com essa de ‘não é com você...” e blábláblá!! Todo mundo no fundo quer um amendoim massa pra comer de vez em quando. Como assim alguém te oferece o que todos procuram e você esnoba?!”

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Desistiu de entender?

Eu também.



Mariângela Alves

Terra e Fogo

Vejo e não a reconheço

Partida em mil

Cada qual em sua época

Tantas tão diferentes e tão a mesma

Queima e revive

Reinventada das cinzas do que foi

Da Terra veio e à Terra voltará

Mas é no Fogo que se refaz, se dá uma nova chance

Como uma fênix, abre as asas e voa em busca de um novo destino, uma nova história

Portanto enquanto a chama da vontade queimar

A Terra há de esperar



Mariângela Alves

Palavras

Penso logo existo... ou será penso logo falo?

Dizem que da abundância do coração a boca fala.

Li uma vez que as palavras são pensamentos manifestados.

Mas às vezes elas são tão subjetivas e misteriosas. A gente acaba se perdendo entre sinônimos e cognatos, numa infinidade de opções listadas no vocabulário. Daí vem alguém e as doma, colocando-as numa sincronia tal, que elas parecem dançar graciosas ao som de uma bela canção. Deliciamo-nos como num banquete, palavra por palavra, guiados numa viagem imaginária dentro da mente, onde se experimenta o sentido de um do termo “privacidade”.

Na mente me perco para me achar entre palavras e imagens, quantas vezes quiser e você nem vai notar. Lá é tudo meu só Meu. E quando falo jogo plumas ao vento, lá do alto... Elas saem voando por aí sem dono, sem destino. Ninguém sabe onde as plumas vão parar. Não se podem recuperar. Não me pertencem mais. Não só isso como também passo a prestar contas por elas. No fim das contas o possuído passa a possuidor.


Mariângela Alves

Monólogo

- Quando olhas para o céu o que vês?
- O céu de sempre... O céu de todos.
- E se o céu for um espelho a nos refletir como pontinhos brilhantes na escuridão imensa e opressora, implacável. Pontinhos solitários numa eterna competição pelo brilho mais intenso até nos apagarmos de uma vez por todas, puff!!
- Se estamos todos na sarjeta, quais de nós está olhando para as estrelas?
- Olhar é o suficiente?
- Será que lá estão respostas? Ou apenas mais perguntas refletidas?
- Terás de viver para ver.
- Só me diga uma coisa... o que move o mundo nessa dança louca que chamamos destino?
- Respondo-te numa única palavra curta começada com ‘A’.
- Ela também o move?
- Por que achas que sempre estou aqui?
- Achava que não tivesses escolha.
- Talvez não tenha, afinal somos todos Um.
- Então por que essa dor, esse vazio?
- Para lembrar-te de viver, de lutar.
- Às vezes te odeio tanto!
- Eu também... mas sempre diante do espelho tu me verás, pois sempre estarei contigo.


Mariângela Alves