Mário Quintana
Janelas...
Elas contam histórias com suas arquiteturas que marcam um perfil artístico de uma sociedade. Dão charme, beleza, personalidade e rosto ao lar. Dão olhos a casa e a nós. E asas à imaginação...
O sentido denotativo da palavra é amplo, pode ser um buraco na parede, aplicativos e programas de computador, buraco em peça de roupa, alguma falha ou vão no sorriso maroto da criança... Então o termo demonstra ausência?... No sentido conotativo podemos ir longe. A figura da janela nos remete à idéia de contato com o exterior, contato mútuo. As paredes nos isolam, escondem-nos para nos sentirmos seguros. As janelas amenizam a solidão. Matam nossa curiosidade sobre o que se passa lá fora, garantindo o conforto seguro do lar, da zona de conforto. Através dela vemos a vida e as pessoas passarem pela rua, vemos o movimento, o sol, o céu, as nuvens, se tivermos sorte. Nem todas as janelas são brindadas com uma vista rica. Algumas são bem limitadas a muros e prédios, servindo apenas para ventilação e pouca luz. Ao abrir a janela vemos o dia chegar, a luz entrar, o vento limpar o ar, iluminando, enchendo tudo de cor e frescor. O cheiro muda, a energia muda. As cortinas balançam ao vento e ele até conversa com você, sussurrando... parecendo vir do além, será uma mensagem? Tomara que de paz. Precisamos tanto de paz. Essa paz com que as nuvens flutuam, se fazem e desfazem numa tranqüilidade e abandono na imensidão azul, num desapego de dar inveja... você observa debruçada na janela, sem grades nem tela, quanta sorte você tem de ter um portal mágico, livre e limpo, que te transporta pra liberdade, pelo menos da cintura pra cima. Cabelos esvoaçantes ao vento, sem monóxido de carbono, por favor. As árvores acenando tranqüilas ao vento, folhas dançando, galhos balançando... raízes no chão e galhos alcançando o céu. Seus pulmões se enchem de vida, distribuindo energia a todas as partes do corpo, respirar é viver.
A janela cabe em todo lugar. Inimaginável um cômodo sem ela, seria um caixão, ausência de vida, inabitável, só em castigo. Ela existe em nós. Nossa mais íntima forma de comunicação. Antes da fala, antes dos gestos, só não antes da energia, talvez junto com ela. Os olhos não mentem. Eles entregam o íntimo. As janelas da alma. Há janelas em tudo que nos transporta para a imaginação. Quando interagimos com o mundo. Quando conversamos com o nosso próximo, quando lemos seus gestos, suas palavras faladas, suas palavras escritas... fazemos através das janelas. Então...
ABRA A JANELA DO TEU CORAÇÃO E DEIXE A ALMA AREJAR ! =)
