terça-feira, 31 de julho de 2018

Lua Crescente


Ao Encontro da Lua

A lua tem um ciclo de aproximadamente 28 dias, dividido em quatro fases: nova, crescente, cheia e minguante. Ciclo este que interfere na fertilidade, nutrição, águas, emoções, crescimentos, saúde e relacionamentos de todos os seres da natureza. Apesar de esquecermos ou ignorarmos, somos parte dela. Um ano tem 12 meses em vez de 13 (número de ciclos lunares) por pura distração de quem criou o calendário que, pelo visto, não entendia bem o ciclo da lua e todo a seu impacto na vida planetária.

Focaremos na influência da lua especificamente na mulher. Ambas são cíclicas, cujos ciclos são divididos em quatro períodos: lunação (Mês-truação), pré-ovulatório, ovulação, pré-lunação.




Lua crescente – Pré-ovulação

O período que antecede a ovulação é o início de um novo ciclo. Também conhecido como fase dA Donzela. Arquétipo da juventude, dinamismo, explosão criativa, processos conscientes, início da expansão e interação social. Não apenas isto, como também otimismo, pensamento mais claro e um aumento da autoconfiança. A Donzela é virgem no sentido de pureza, potencialidade e autossuficiência. Quando a energia sexual é dirigida para fora, para a realização. Hora de tirar projetos da gaveta e elaborar estratégias e planos.

As energias da donzela são dinâmicas e radiantes. Momento em que a mulher está livre do ciclo de procriação e pertence apenas a si mesma. A mulher está autoconfiante, sociável e capaz de superar os obstáculos, pois goza de determinação, ambição e concentração. Tempo de iniciar novos projetos. Sexualidade nova, fresca e renovada. Entusiasmo em alta e é a hora de desfrutar da vida (Gray, 2017).

Arcanos relacionados a esta fase:






O Louco: o aventureiro nômade por excelência, que se lança ao inesperado com a roupa do corpo, partindo para sua jornada à iluminação e autoconhecimento. O potencial absoluto, o estado anterior a qualquer manifestação. O Louco é a criança, inocente, pura e sensível, espontânea e alegre.






A Roda da Fortuna: Arcano regido por Júpiter, planeta da expansão e do conhecimento. O Universo é cíclico. Tudo tem seu começo, meio e fim e tudo bem! Funciona assim. Há que ser atentar para não repetir círculos viciosos, por isso mesmo a importância de se sangrar e deixar morrer ciclos velhos. O que já foi feito na fase anterior, agora é seguir o curso expandindo-se. E claro, aproveitar as inúmeras oportunidade que só chegaram à medida que encontrarem abertura. Tendo sempre em mente o Karma, ou lei do retorno. A energia que emanar, retornará até três vezes mais. 





A Arte/A Temperança: Arcano de sagitário, elemento de fogo, mutável e regido por Júpiter. Vitalidade e necessidade de movimento. Entusiasta ardente, extrovertido e impulsivo. Representado pelo arqueiro, assim como Diana, a deusa da caça. Momento de mirar as flechas, definindo metas e planos objetivos. Arcano da integração das partes antagônicas da nossa personalidade, como feminino e masculino, por exemplo, em perfeita harmonia. As tensões e os conflitos ficaram pra trás, momento em que a beleza e o prazer se manifestam.




A Estrela: Arcano do signo de Aquário, do elemento ar, fixo, regido por Urano e Saturno (planeta da coesão, estruturação e ordem). Princípios éticos sólidos, que vão nortear os projetos o novo ciclo que se inicia. Mentalidade progressista, atrevida e revolucionária. Buscam justiça, liberdade e fraternidade. Trazem uma nova visão do mundo. Conotação fortemente mental. Princípios humanitários regerão as ideias.
No período da Lua crescente/pré-ovulatório é a oportunidade de recomeçarmos: talvez começar aquela dieta mais saudável, experimentar um esporte diferente, reler anotações, rever projetos. Aproveite a energia criativa e renovadora do seu renascimento. Sinta-se nova como uma criança e inteira como uma rocha. Seja extrovertida, conheça pessoas, reúna pessoas, troque ideias. Reforce seus valores, principalmente os de caráter coletivo e fraterno. E sem olhar pra trás, sem culpas, sem neuras.
E para fechar:

Nos próximos posts escreverei sobre os outros períodos e seus arcanos! ;)
Om! _/\_

sábado, 2 de dezembro de 2017

Somos Todas Malévolas

Malévola
Uma fada fora dos padrões. Morena, asas escuras e pontudas e... chifres(!)
Os chifres na mitologia representam luz, sabedoria e conhecimento. Muito ligados à fertilidade, uma vez que os animais com chifres maiores venciam as batalhas por território e reproduziam mais. Uma coroa representativa de status na natureza.
A guardiã da floresta, educada e cheia de vida, mantém tudo em ordem, segurança e justiça desde criança.
Até ser traída por aquele a quem amava. Suas asas são violentamente arrancadas e roubadas.
As asas simbolizam liberdade, leveza, inteligência, inspiração. Libertação da alma que pode alçar voos aos céus e encontrar o divino, bem como acessar o mundo dos mortos.
Após o triste incidente, o mundo ao redor de Malévola se enche de sombras e ressentimento. Quem nunca sentiu uma dor tamanha que parecia ter uma parte do corpo arrancada com uma faca?
A promessa da parede de espinhos, afastar todo o risco de ser magoada novamente. A descrença no amor e nas pessoas. Somos todas malévolas. Em momentos na vida somos fadinhas alegres e apaixonadas, contudo em outros somos sombra, mágoa e medo.

A vingança parece a única saída para amenizar a dor. Mas apenas o amor cura. E ele acontece de formas tão inesperadas.
Malévola e Aurora nos ensinam sobre sororidade - a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum.
O que mais surpreende no filme de 2014 é a inovação nos contos de fadas retratados pelo cinema. A protagonista é também antagonista. Ela é mocinha e vilã. E de repente estamos torcendo pela vilã e nos deliciando das maldades dela! A gente sente a dor das asas arrancadas, também queremos justiça. Não apenas isso, como também a força do feminino que não espera pelo príncipe no cavalo branco para salvá-la. Ela é sua heroína e sua vilã. Que personagem rica! Quase tão complexa como uma mulher da vida real.
A amizade das duas e seu amor verdadeiro salvam os dois reinos puderam finalmente ser reunidos. Como sempre fora desejo de malévola, mas a sede e poder e ganância dos homens é sem limites.
A descoberta desse amor restitui Malévola de suas asas. Ademais ela pode voar, tudo pode ser belo e colorido novamente.
E você? Acredita em amor verdadeiro? Quais formas diferentes ele pode se manifestar?

terça-feira, 4 de março de 2014

VOCÊ



 Num passado não muito distante. Um ponto memorável no processo de autodescoberta. Levaram-me pelas mãos com meus olhos vendados. Era um jardim. Ou pelo menos imagino que seja pela grama fresca sob meus pés descalços. Mãos macias e afáveis. Mãos maternas. Era uma tarde ensolarada que aquecia minha pele que suava com o calor. Quando, então, as mãos começaram a se afastar. Agarrei-as assustada com a ideia do abandono, não as poderia soltar, não as deixaria ir. O que seria de mim ali sozinha, no escuro? Sem saber o que havia adiante. Doía só de pensar. Foi aí que ouvi uma voz familiar me dizer com serenidade: Solte! Pode confiar. Você não está só. O insight golpeou-me em calafrio, apertando o coração. Como quando nuvens densas encobrem seu céu azul. Caí de joelhos aos prantos. Um choro do ventre, daqueles que não cabem na garganta, entalando, sufocando. Como puderam me desertar dessa forma? Eu soube naquele momento que não me restaria mais nada a não ser levantar e andar. Por mim mesma. Apesar de não saber o que encontraria então. Andei devagar, com minha angústia, tateando o vazio no afã de tocar algo e me encontrar. Mas não havia nada. Só uns toques de leve no meu ombro que me indicava a direção. Decerto eu não estava só. Isso confortou meu coração. Comecei a acreditar. Fui acometida por uma segurança que me lançou adiante, corri. Corri destemida e segura, sorrindo orgulhosa. Senti-me viva enfim. Eu estava livre. 


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

RAZÃO CONTRA SANDICE

Já o leitor compreendeu que era a Razão que voltava à casa, e convidava a Sandice a sair, clamando, e com melhor jus, as palavras de Tartufo:

- A casa é minha. Você que tem de sair!

Mas é sestro antigo da Sandice criar amor às casas alheias, de modo que, apenas senhora de uma, dificilmente lha farão despejar. É sestro; não se tira daí; há muito que lhe calejou a vergonha. Agora, se advertirmos no imenso número de casas que ocupa, umas de vez, outras durante as suas estações calmosas, concluiremos que esta amável peregrina é o terror dos proprietários. No nosso caso, houve quase um distúrbio à porta do meu cérebro, porque a adventícia não queria entregar a casa, e a dona não cedia da intenção de tomar o que era seu. Afinal, já a Sandice se contentava com um cantinho no sótão.

— Não, senhora, replicou a Razão, estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente do sótão à sala de jantar, daí à de visitas e ao resto.

— Está bem, deixe-me ficar algum tempo mais, estou na pista de um mistério...

— Que mistério?

— De dois, emendou a Sandice; o da vida e o da morte; peço-lhe só uns dez minutos.

A Razão pôs-se a rir.

— Hás de ser sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa...

E dizendo isto, travou-lhe dos pulsos e arrastou-a para fora; depois entrou e fechou-se. A Sandice ainda gemeu algumas súplicas, grunhiu algumas zangas; mas desenganou-se depressa, deitou a língua de fora, em ar de surriada, e foi andando...


Quem nunca?! Quem nunca foi tomado pela sandice de Machado em Memórias Póstumas de Brás Cubas? Quem nunca pagou a língua cheia de empáfia da razão que sempre resolve os problemas alheios em dois minutos, revirando os olhos entediada, e que sempre tem um conselho na manga?


O ser humano não é um animal racional. É um animal emocional. A razão acaba servindo ao turbilhão de emoções que sentimos. E ficamos insanos. Quando ferem nosso ego. Quando nos apaixonamos. Quando gostamos. Quando não gostamos. E fazemos isso todo o tempo, julgando tudo: “isso eu gosto, isto não”. E um querer sem fim... Eu sempre quero algo. Quando consigo, eu quero outra coisa.


E a batalha continua. Vamos expulsar a sandice da casa. Nenhum cantinho! Pois bem se sabe que é pior que o animal de estimação que começa lá fora e aos poucos se apossa da cama e do coração de seu cuidador – cuidador sim, pois não somos donos de nada nesta vida. E a sandice insiste. Dá desculpas e queremos acreditar. Ela é tão sedutora, tão bela e carismática. Ela é a madrinha que embala nossa criança interior com contos e fantasias sobre castelos, princesas, felizes para sempre – ou nifas pervertidas siliconadas e insaciáveis dos filmes pornôs, no caso dos meninos - peça (chore) e será atendido. Ela nos faz acreditar que teremos tudo que queremos e não nos questiona o porquê.


Acontece, entretanto, que ela não conta o resto da história. Ela não nos conta que tudo tem um preço e que toda escolha tem seus aspectos negativos. Há todo um esforço e trabalho a fim de se conseguir o que se quer e isso demanda esforço e tempo, logo, temos de escolher em que vamos investir o nosso tempo e esforço. Não temos tempo nem condições de buscar tudo o que queremos. Destarte acabamos perseguindo miragens no deserto do nosso egoísmo. Esperando que o outro me faça feliz. E a vida acaba e não fizemos nada com ela.



Temos de ficar de olho na sandice. Ela vive à espreita. Não perde a oportunidade. Temos de tirar os óculos coloridos e entender que a vida, a realidade, é regida por leis. Leis que não dormem como nos filmes do Bruce Lee em que as pessoas ficam flutuando no ar entre um golpe e outro, tipo num cochilo da gravidade. Muito menos vamos dispensar um babaca e ao virar as costas tropeçaremos - de forma bem romântica e no dia em que você arrumou o cabelo - no homem dos seus sonhos com um buquê de flores. Na vida real vai levar meses até se descobrir que ele é um babaca e virão outros piores. E pode levar anos até aparecer alguém legal, numa afinidade que agrade a ambos o suficiente para encararem uma convivência. Na vida real não são os opostos que se atraem e sim os dispostos. E quase não se fala da paciência. Ela é a chave pra se evoluir.



terça-feira, 29 de outubro de 2013

Ele é o cara!


“Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.”

E diante do apelo de milhões de pessoas vítimas do apartheid clamantes por justiça e vingança ele argumentou:
“Não temos tempo para vinganças mesquinhas, temos de ser maiores do que isso.”

O cara é um visionário com uma sensibilidade e humildade que nos inspira na luta contra o preconceito e  a opressão sofrida pelas minorias. Sensibilidade e humildade que longe de o fragilizarem lhe dão coragem de apostar na generosidade. Seu exemplo nos mostra como o ódio não nos leva a lugar algum. Que nossa luta não é contra pessoas. Nosso inimigo não é o branco, não é o homem, não é o heterossexual, não é o rico, não é ninguém que “se adeque” aos padrões “ideais” impostos pela sociedade. A luta é contra paradigmas de opressão e exclusão. Paradigmas que nem nos pertencem, mas se arrastam por séculos, arrastando a todos nós como uma correnteza da ignorância que desagua a humanidade na guerra, no genocídio, chacinas e homicídios em massa.

Até quando vamos sustentar esses paradigmas e repassá-los para as próximas gerações? De que adianta falar-se tanto em mundo melhor para nossos filhos sem filhos melhores para o mundo? Como eles farão a diferença se são criados da mesma forma que nós fomos? Como obter resultados diversos repetindo os mesmos processos?  Vamos continuar a seguir a velha receita de bolo da vovó e esperar que saia uma pizza quatro queijos do forno.

Quando me questiono sobre como é possível ainda se sustentarem culturas de exclusão numa sociedade tão amplamente globalizada e com acesso à informação, eu penso em Descartes, ele nem tinha Google, dizendo:
“Eu discordo de cada palavra que diz, mas lutarei pelo seu direito de dizê-las.”

É de direitos que devemos falar. Dos direitos dos negros de serem tratados como iguais e com respeito. Das mulheres se sentirem tão seguras e resguardadas como os homens, sem precisar “se dar ao respeito”, simplesmente por que desde de que nascemos somos cidadão e temos direito `a segurança de poder andar na rua sem ser atacada verbal ou fisicamente, sem ser desrespeitada. Quem disse a esses homens que a mulher que ele está ficando ou conhecendo diz “não” pra fazer doce, e sendo assim, ele deve forçar a barra porque ele está excitado, afinal de contas ele é um macho viril e é dever da mulher saciar esse desejo sexual, tão normal nos homens, porém leviano nas mulheres. Dos direitos dos homossexuais de terem espaço na sociedade, bem como o direito de constituir família. Enfim, os direitos dos indivíduos que formam o coletivo. Discutimos tanto os direitos do embrião enquanto nem os direitos dos nascidos são respeitados.

Tendo em vista que um coletivo é formado por indivíduos, como elos numa corrente, a massificação é opressora e presta um desserviço para a comunidade. Impor padrões fechados de comportamento e estereótipos excludentes e surreais é sustentar uma sociedade formada por hipocrisia e exclusão, o que conhecemos muito bem.

A verdadeira democracia é muito trabalhosa. Demanda muita comunicação, muito se ouvir e muito se falar. Muito debate. Exaustivos diálogos, direitas e esquerdas, e autoavaliações para se chegar a um meio termo que “agrade a todos” na medida do possível e com ambos os lados abrindo mão algumas coisas para se conquistar outras. E isso é um processo doloroso.

No entanto, se Mandela, após 30 anos de prisão, conseguiu engolir sua própria dor e humilhação para garantir, inclusive, os direitos daqueles que o prenderam e perseguiram sua família. Acredito que nossa dor é superável.