sábado, 4 de abril de 2009

Flores

Você já cheirou uma flor hoje? Pois deveria. As flores são mágicas, não só são coloridas e cheias de vida como também são perfumadas. Adoro flores. Infelizmente na maioria das vezes elas passam despercebidas. Apenas pedaços do imenso cenário no qual se deslancha nossa rotina ocupada. Lá ficam elas, tão variadas e peculiares, desabrochando, murchando, morrendo. Acho chato receber um ramalhete tão encantador e vê-lo fenecer. Nem a água fresca ou o açúcar com tanto carinho as mantém por muito tempo. Triste essa efemeridade, essa temporalidade. Por que elas não são eternas? Imagine só, nunca mais ver nenhuma delas morrer. A morte é triste, é o fim. Assim o mundo ficaria infestado de flores coloridas e perfeitas, sempre viçosas e frescas para nos alegrar e perfumar. A tristeza iria embora e cederia lugar aos charmosos botões a desabrochar. Seríamos agraciados para sempre e a morte não nos assombraria mais, nunca mais. Já imaginou isso? Não seria interessante? Acho que precisaríamos de muitos vasos, RS. Todos teriam que gostar de flores, pois elas estariam por toda a parte. Tropeçaríamos em tantas flores. Aí sim, elas seriam notadas todos os dias. Flores de manhã, no travesseiro, na cabeceira da cama, no telhado, na mesa do café, no caminho ao trabalho, na mesa do escritório... Flores no travesseiro... Isso me lembra minha mãe dizendo que não gosta de flores uma vez que elas a faz pensar em morte. Quando a morte passa deixa um rastro de flores. Eu gostava muito, inclusive, daquela música cantada pelos Titãs com a Marisa Monte, pelo menos até me dar conta de que ela se tratava da morte, qual é mesmo o nome da música... Ah sim, claro, ‘flores’. Que coisa, eu queria que as flores fossem eternas, ao passo que minha mãe, por exemplo, queria que as pessoas fossem eternas. Entretanto, imagino se as flores teriam o mesmo valor para nós, amontoadas em galpões a fim de que se cedesse espaço às outras belezas da vida. O que faríamos com tantas flores? Acho que me encheria delas... Por conseguinte imagino as pessoas, que nem são flores que se cheire!

Mariângela Alves

3 comentários:

  1. "As flores de plástico, não morrem!"

    Concordo com seu ponto de vista, as flores são belas e perfumadas. Iluminam o dia e clareiam a noite...
    Se aprendêssemos com a natureza - a fauna e a flora - seríamos, de fato, seres humanos.

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  2. Flores. As de plástico não morrem, as reais simplesmente se abrem, espalham seu cheiro e caminham inexoravelmente para a morte. Murchas, como centenas de esperanças, como milhares de sonhos que nunca deixaram de ser apenas sonhos.
    Brilhantes e perfumadas como a inevitabilidade efêmera da beleza juvenil, as flores iluminam, secundárias, as mais belas paisagens e por fim terminam sobre caixões, preparadas para amortecer a queda no além e espalhar seu aroma pelo certo caminho que todos iremos percorrer: o da Morte.

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  3. Não há remédio para a morte, apenas a dor.
    Seria mais sensato salientar a intenção benéfica da flor, mostrar que mesmo nos montes mais altos, nos lugares mais longínquos e aparentemente inóspitos; ainda assim, há a beleza da VIDA, nascemos, crescemos, aprendemos e partimos, deixando um rastro de nós mesmos, onde quer que seja!

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